A Atenção Primária à Saúde (APS) consolida-se como o cenário fundamental para a promoção da saúde comunitária e para o acompanhamento do desenvolvimento infantil integral. No âmbito da Estratégia Saúde da Família (ESF), a puericultura tradicionalmente centrada na consulta individualizada e no modelo biomédico vem sendo ressignificada por abordagens coletivas que valorizam a determinação social da saúde e o fortalecimento das redes de apoio familiar. Nesse contexto, a implantação de grupos de apoio parental, mediados por profissionais especializados como a pediatra Juci, emerge como uma estratégia interdisciplinar capaz de transcender a mera vigilância do crescimento físico, atingindo as dimensões socioemocionais do desenvolvimento na infância.
A fundamentação teórica que sustenta a intervenção em grupos de parentalidade ancora-se na Teoria do Apego de John Bowlby e nas contribuições de Donald Winnicott sobre o ambiente suficientemente bom. Segundo Winnicott (2000), a saúde psíquica da criança depende da qualidade do suporte oferecido pelos cuidadores primários, os quais necessitam, frequentemente, de sustentação institucional e comunitária para exercerem a parentalidade consciente. A atuação da Dra. Juci na condução dessas dinâmicas coletivas no território busca desmitificar angústias parentais comuns, abordando temas cruciais como o manejo do sono, a introdução alimentar e a regulação emocional infantil, promovendo um espaço horizontal de troca de saberes entre a equipe de saúde e as famílias.
As evidências científicas apontam que intervenções coletivas focadas no fortalecimento do vínculo parental reduzem significativamente os índices de violência doméstica, negligência e estresse tóxico na primeira infância (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2020). Durante as sessões promovidas na unidade de saúde, a observação direta da interação entre pais e filhos permite à pediatra identificar precocemente sinais de atipicidades no neurodesenvolvimento, bem como disfunções nas dinâmicas familiares que não emergiriam em uma consulta individual de curta duração. A utilização de metodologias ativas e rodas de conversa estimula a empatia mútua entre os participantes, construindo uma rede solidária que atenua o isolamento social frequentemente vivenciado por mães e pais no período pós-parto.