A reorganização do modelo assistencial no âmbito do Sistema Único de Saúde preconiza que a promoção da saúde e a prevenção primária de agravos devem constituir os eixos estruturantes do cuidado territorial. No cenário epidemiológico brasileiro, caracterizado pelo envelhecimento populacional acelerado e pela alta prevalência de condições crônicas não transmissíveis, o sedentarismo desponta como um dos principais fatores de risco modificáveis de maior impacto na morbimortalidade. Diante desta realidade, a implementação e consolidação de grupos de práticas corporais na Atenção Primária à Saúde deixam de ser meras atividades recreativas para assumir a condição de tecnologias leves de cuidado, essenciais para a melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida dos usuários inseridos na comunidade.
Historicamente, as ações voltadas ao incentivo de atividades físicas no SUS enfrentam a barreira do modelo biomédico tradicional, que tende a medicalizar o sofrimento e a fragmentar as intervenções em saúde. No entanto, os referenciais teóricos da Política Nacional de Promoção da Saúde apontam que o movimento humano deve ser abordado sob a ótica da integralidade, considerando as determinações sociais, culturais e econômicas do território. A iniciativa promovida pela Unidade Básica de Saúde Ildefonso Pedroso, ao estruturar e manter as atividades do Grupo Viva o Movimento, alinha-se com as diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde. Ao criar um espaço regular de prática corporal orientada no próprio território, a equipe multiprofissional atua diretamente na diminuição do isolamento social, no controle de parâmetros metabólicos e na redução do risco de quedas em populações vulneráveis.
A fundamentação científica dessa abordagem é amplamente corroborada pela literatura indexada em bases de dados como SciELO e PubMed. Estudos epidemiológicos e ensaios clínicos demonstraram de forma consistente que a adesão contínua a programas comunitários de exercício físico regular reduz os níveis de pressão arterial, melhora o perfil glicêmico e lipídico, além de exercer papel protetor significativo sobre distúrbios neurológicos e do humor, como ansiedade e depressão. No cotidiano da UBS Ildefonso Pedroso, a realização periódica do Grupo Viva o Movimento transcende o benefício fisiológico individual; ela atua como um dispositivo de educação permanente em saúde, onde a troca de experiências intersubjetivas entre os participantes fortalece a adesão aos tratamentos propostos e estimula a autonomia do sujeito frente ao seu próprio processo de saúde e doença.
Sob a perspectiva da gestão pública em saúde, o fortalecimento de intervenções coletivas focadas no movimento humano representa uma estratégia indispensável para conter a sobrecarga financeira do sistema sanitário. O manejo inadequado de doenças crônicas e o declínio funcional precoce resultam em internações hospitalares evitáveis, sobrecarga dos serviços de urgência e elevado custo com polifarmácia na atenção secundária e terciária. Ao consolidar o Grupo Viva o Movimento como uma prática continuada de cuidado coletivo, a UBS Ildefonso Pedroso reafirma a eficácia da Atenção Primária enquanto ordenadora das redes de atenção, demonstrando que o incentivo às práticas corporais no território é um instrumento de transformação social e de sustentabilidade para o SUS.