O Grupo Reabilitar APS, da UBS Jóquei Clube, está de casa nova. As atividades agora acontecem no espaço do CRAS Jóquei Clube, ampliando as possibilidades de cuidado aos usuários acompanhados pelo grup

Cuidar de quem convive com dor persistente é um dos desafios mais frequentes e menos visíveis da Atenção Primária à Saúde (APS). No Sistema Único de Saúde (SUS), a APS é a porta de entrada preferencial e o espaço onde o vínculo entre equipe e comunidade se constrói ao longo do tempo. É nesse cenário que o Grupo Reabilitar APS, vinculado à UBS Jóquei Clube, ganha relevância: o grupo acaba de mudar de endereço e passa a realizar suas atividades no espaço do CRAS Jóquei Clube, o que amplia as possibilidades de cuidado oferecidas aos usuários acompanhados.

A dor crônica e o papel da Atenção Primária

A dor crônica é compreendida como aquela que se prolonga no tempo e deixa de ser apenas um sintoma para se tornar uma condição que interfere no sono, no humor, no trabalho, nas relações familiares e na autonomia da pessoa. Por isso, seu manejo dificilmente se esgota em uma consulta isolada ou em uma prescrição. A literatura e as diretrizes do SUS apontam que o cuidado longitudinal, próximo ao território onde as pessoas vivem, é um dos caminhos mais consistentes para acompanhar esse tipo de situação, e é justamente essa a vocação da Atenção Primária.

Dentro dessa lógica, as práticas corporais e a atividade física têm lugar de destaque na Política Nacional de Promoção da Saúde e no trabalho das equipes multiprofissionais. Elas não substituem o cuidado clínico, mas somam-se a ele, favorecendo a mobilidade, a percepção do próprio corpo e a participação ativa do usuário no seu plano de cuidado. É nesse espaço que grupos como o Reabilitar APS se inserem, transformando o território em ambiente terapêutico.

O encontro de 25 de setembro

No encontro realizado em 25 de setembro, as práticas corporais e as atividades físicas foram conduzidas de forma interdisciplinar pela equipe eMulti, com participação da Fisioterapia e da Psicologia. A presença conjunta dessas duas áreas expressa a compreensão de que a dor tem dimensões físicas e emocionais que precisam ser olhadas de maneira integrada.

Ao longo da atividade, os participantes realizaram exercícios em diferentes posições, com foco em mobilidade articular, alongamentos e fortalecimento muscular de membros superiores, membros inferiores e core, além de trabalho de controle respiratório e ativação abdominal. A variação de posições permite que pessoas com diferentes níveis de condicionamento e limitação possam participar, respeitando o ritmo de cada um.

O grupo também dedicou atenção à conscientização respiratória e a orientações sobre o manejo da dor durante a execução dos exercícios. Foram compartilhadas informações sobre a dor muscular tardia, fenômeno comum após o esforço físico, o que ajuda os participantes a compreender melhor as respostas do próprio corpo e a não interpretar todo desconforto como sinal de piora ou motivo para abandonar a prática.

Ao final do encontro, os usuários receberam orientações para dar continuidade aos exercícios em casa nos demais dias da semana. Esse cuidado estende o efeito do grupo para além do horário presencial e fortalece a autonomia de cada pessoa na manutenção da própria saúde.

Uma nova casa e a articulação com o território

A mudança das atividades para o espaço do CRAS Jóquei Clube merece atenção por si só. Equipamentos da assistência social e unidades de saúde atuam sobre o mesmo território e sobre as mesmas famílias, e a aproximação física entre eles favorece uma visão mais ampla das necessidades da comunidade. Ao ocupar um espaço comunitário, o grupo amplia suas possibilidades de cuidado, o que reforça a lógica da intersetorialidade, princípio importante da APS e das políticas de promoção da saúde.

Importância para o território e para a formação dos residentes

Para o território, iniciativas desse tipo oferecem uma alternativa de cuidado acessível, coletiva e continuada para pessoas com dor crônica, que muitas vezes percorrem longos caminhos entre consultas e tratamentos sem encontrar acolhimento integral. O grupo cria um espaço de convivência, troca de experiências e educação em saúde, no qual o usuário deixa de ser apenas receptor de orientações e passa a ser protagonista do seu cuidado.

Para a formação dos residentes, a vivência em ações como esta é igualmente valiosa. Atuar em um grupo conduzido por equipe interdisciplinar permite praticar, no cotidiano do serviço, o trabalho em equipe, a escuta qualificada, a educação em saúde e a construção de projetos terapêuticos que consideram o contexto de vida das pessoas. Trata-se de aprender a fazer saúde no território, com a comunidade e a partir de suas necessidades reais, que é a essência da formação em serviço na Atenção Primária.

Considerações finais

A nova casa do Grupo Reabilitar APS simboliza mais do que uma troca de endereço: expressa o compromisso com um cuidado que se aproxima das pessoas, valoriza o acompanhamento multiprofissional e reconhece as práticas corporais e a educação em saúde como estratégias legítimas e potentes na Atenção Primária. Ao unir Fisioterapia, Psicologia e a equipe eMulti em torno de usuários com dor crônica, a iniciativa fortalece o SUS no que ele tem de mais característico: o cuidado integral, contínuo e construído junto com a comunidade.

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